Por epoca negócios
Chegou a hora. Em 2025, após testes que devem durar até o final do primeiro semestre, o Drex – a nova moeda digital do Brasil – deve começar a ser implantado no país. “O foco é na democratização do acesso aos produtos financeiros e na criação de novos serviços”, diz Fabio Araujo (foto), coordenador do projeto no Banco Central (BC).
Inicialmente o Drex foi chamado de Real Digital, o que fez muita gente pensar que ele seria apenas uma versão da moeda nacional em um ambiente online. O Drex, no entanto, vai muito além: trata-se de uma plataforma blockchain que servirá como base para que empresas, instituições e pessoas físicas possam trocar ativos digitais por meio de contratos inteligentes.
Em uma modalidade chamada de pagamento condicionado será possível, por exemplo, comprar um automóvel e ver o dinheiro sair da conta no mesmo instante em que a transferência for registrada. O cliente também poderá oferecer suas aplicações financeiras como parte da garantia de um empréstimo sem precisar sacar; o ativo fica rendendo durante o período de pagamento.
O Drex tende a gerar mais eficiência, reduzir a burocracia e os custos, o que pode baratear as taxas cobradas pelos bancos e também criar novos modelos de negócio. Para acessar a Plataforma Drex, os usuários precisarão de um intermediário autorizado, como um banco, que fará a transferência de valores para suas carteiras digitais.
Nova era para as criptomoedas
Depois da vitória de Donald Trump, que usou as moedas digitais como instrumento de campanha nas eleições americanas, 2025 pode ser o ano em que a criptomoeda ganhe uma nova estrutura regulatória nos Estados Unidos – fazendo com que o resto do mundo siga o exemplo, na visão de especialistas ouvidos pela Nasdaq. A mudança deve começar com uma redução da intervenção da SEC (Securities and Exchange Commission) no setor, o que pode abrir caminho para novos investimentos e modalidades.
Caso os ativos cripto realmente se tornem uma prioridade estratégica, é possível que os EUA criem uma reserva de bitcoins. Se quiser competir, a China terá que reverter sua proibição de criptomoedas, em vigor desde o final de 2021. Mas nada disso, claro, está garantido. Não se sabe ao certo se o presidente eleito cumprirá suas promessas em relação à moeda digital, lembram os analistas.
E, embora o valor do bitcoin tenha chegado a US$ 99,6 mil em novembro, sabe-se que os preços das criptomoedas são altamente suscetíveis a eventos globais. Projetos fraudulentos de criptomoedas como o FTX também derrubaram os preços nos últimos anos. E é possível que a febre por criptomoedas do final de 2024 torne o mercado ainda mais volátil.
IA como gestora de investimentos
O uso de robôs para ajudar os clientes a tomar decisões de investimento já é tendência há alguns anos, mas em 2025 vai ganhar novos contornos. Quem se acostumou a usar sistemas de gestão financeira como Betterment, Wealthfront, Vanguard ou Revolut verá seus programas ganharem novas funcionalidades graças aos avanços da IA. A tecnologia permitirá que os “robôs” façam análise de dados, sejam capazes de prever tendências de mercado e antecipar estratégias de investimento, democratizando um serviço que antes era restrito apenas a quem podia pagar por gestores de investimento.
Esses profissionais, por sinal, continuarão a exercer um papel importante nas organizações. A razão para isso, segundo Thomas Moore, CEO da Betterment, é que há dois tipos de clientes. “Existem aqueles que querem resolver tudo sozinhos, com a ajuda da máquina, e os que preferem conversar com uma pessoa de carne e osso”, disse ele, em entrevista recente à CNBC.
Pagamentos por biometria
Muita gente já se acostumou a usar a impressão digital para abrir seus telefones, acessar aplicativos de banco e destrancar as portas da frente da casa. Empresas e governos usam autenticação biométrica para restringir o acesso a áreas sensíveis. Mas em 2025 esse tipo de identificação irá migrar para outras áreas, como os aplicativos em geral e, mais notadamente, para os pagamentos.
Para especialistas em cibersegurança, a transição vai significar o fim de golpes que usam PINs e senhas para obter dados do usuário. Pode eliminar também a necessidade de decorar (ou anotar) coleções de letras, números e símbolos sem fim. De acordo com um Relatório de Segurança da Verizon, 81% de todas as violações de dados estão associadas a um “gerenciamento de senhas ruim”.
O banco JP Morgan Chase expandiu recentemente sua parceria com a PopID para “implantar pagamentos biométricos piloto para comerciantes americanos”, segundo a empresa. A Amazon usa o Amazon One, um dispositivo de digitalização da palma da mão, em suas lojas Go e algumas unidades do Whole Foods Market. E a Mastercard já anunciou que deve eliminar cartões de crédito físicos e senhas até 2030 – eles serão substituídos por identificações biométricas.
Fonte: https://epocanegocios.globo.com/futuro-do-dinheiro/noticia/2025/02/drex-robos-investidores-e-pagamentos-por-biometria-as-tendencias-de-futuro-do-dinheiro-para-2025.ghtml